Pular para conteúdo

Brasil é uma região-chave para o futuro do agronegócio´

01/12/2017

A importância do Brasil como fornecedor de alimentos fica ainda mais relevante com o aumento da demanda global e das mudanças climáticas, diz o vice-presidente global de Assuntos Corporativos da Bunge, Stewart Lindsay, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro, serviço de notícias do agronegócio em tempo real da Agência Estado. Ele destaca, porém, que o País tem muito a fazer para assegurar o escoamento de sua produção. "Para ter competitividade é crucial melhorar a logística no Brasil e desenvolver redes integradas e multimodais. Hoje, muito tempo e muito dinheiro são perdidos por causa de condições precárias de estradas."



Lindsay, que participou do Summit Agronegócio, promovido pelo Estado, é responsável pela estratégia e pelos programas de sustentabilidade da Bunge em nível global. "Consumidores têm um interesse crescente em produtos sustentáveis, e eles contam cada vez mais com dados para fazer escolhas com base nessas preferências."



O executivo ressalta que, mesmo com o consumo mais restrito no Brasil nos últimos dois anos, o País segue tendo papel crucial dentro da estratégia da Bunge. "O Brasil ainda é um dos principais mercados para a Bunge; a relevância do mercado interno é constante." A seguir, os principais trechos da entrevista feita por e-mail antes do evento.



Como grande exportador de soja e milho, o Brasil terá maior participação no mercado global?

Com certeza. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que até 2027 o Brasil exporte 30 milhões de toneladas adicionais de soja. Outras fontes preveem crescimento similar. O País tem um setor agrícola eficiente, tecnologia de ponta, recursos hídricos amplos e pastagens onde a agricultura pode se expandir. Isso faz do Brasil uma região-chave para o futuro, e o seu papel crescerá em importância à medida que a demanda global por alimentos se expande e as mudanças climáticas tornarem o comércio mais importante.



Como o sr. avalia a logística de grãos no Brasil? A Bunge planeja novos investimentos no País?

A empresa investiu consideravelmente na última década para melhorar nossa capacidade de embarcar grãos dentro do Brasil e exportá-los para o exterior. Nossos terminais portuários recentemente concluídos em Miritituba e Barcarena melhoraram a eficiência e a sustentabilidade da logística de exportação pelo Norte para grãos de Mato Grosso. Em 2016, expandimos nossa parceria com a Amaggi, permitindo um gerenciamento compartilhado de todas as operações na rota. Melhorar a logística e desenvolver redes integradas e multimodais são cruciais para a competitividade agrícola do País. Os sistemas de hidrovias têm grande potencial, mas precisam estar conectados a boas redes rodoviárias e ferroviárias. Hoje, muito tempo e dinheiro são perdidos por causa de condições de estrada precárias. Existem alguns planos importantes de expansão ferroviária no Brasil para os próximos anos, incluindo projetos listados no Programa de Investimento Federal e iniciativas privadas, como a Ferrogrão.



A Bunge investiu para estimular práticas sustentáveis na produção de grãos no Brasil. A intenção é comprar mais soja e milho sustentáveis no futuro?

Estamos orgulhosos de ter ajudado a aumentar a sustentabilidade da agricultura brasileira. Nos juntamos a organizações não governamentais (ONGs) e a associações setoriais em projetos em favor da implementação do Código Florestal Brasileiro nas fazendas, de uma melhor governança ambiental nos municípios em que operamos. Também para fornecer informações aos agricultores em relação a práticas trabalhistas e agrícolas e lutar contra o estresse hídrico em áreas sensíveis. O Brasil sempre foi um produtor eficiente, mas, com recursos naturais sob pressão em todo o mundo, precisamos continuar colaborando para produzir mais alimentos, de forma mais eficiente e com maior sensibilidade ao ambiente. Isso significa reduzir o desmatamento e gerenciar bem a água e outros ativos ambientais. Consumidores também têm um interesse crescente em produtos sustentáveis, e eles têm cada vez mais os dados para fazer escolhas com base nessas preferências. Na Bunge, estamos trabalhando para desenvolver cadeias de valor do século 21 que atendam a todas essas demandas, e que sejam mais rastreáveis, confiáveis e sustentáveis.



Setores como o de açúcar e de bioenergia, nos quais a Bunge também opera no Brasil, vivem momento de recuperação. Como a empresa vê as perspectivas desses setores no longo prazo?

Após o período de crise no setor, a perspectiva é boa para etanol, açúcar e geração de bioenergia.



A demanda chinesa por soja e outras commodities agrícolas cresceu significativamente nos últimos anos, o que tem apoiado os preços e estimulado a produção. O sr. acredita que esse movimento é crescente?

Deve continuar, sim. A capacidade de fornecer produtos seguros, de alta qualidade e sustentáveis diretamente da origem no Brasil continuará a ser um ativo vital para empresas como a Bunge. Cada vez mais, esperamos que os consumidores chineses adotem uma maior preferência por alimentos de valor agregado e sustentáveis.



O mercado interno no Brasil se retraiu nos últimos anos por causa da crise econômica. Qual foi o impacto disso para a Bunge? Espera mudança em 2018?

A economia brasileira experimentou um crescimento econômico negativo por dois anos consecutivos, e as implicações vão de lado a lado: isso afetou desde decisões de investimento até o comportamento do consumidor, uma vez que existe um nível de incerteza incomum. Apesar disso, o Brasil ainda é um dos principais mercados para a Bunge. A relevância do mercado interno é constante. Trabalhamos para fortalecer nossa posição como líderes de mercado e continuaremos buscando oportunidades que ofereçam mais valor ao nosso negócio.



Como a Bunge vê a produção brasileira de soja e milho em 2017/2018? Analistas até agora projetaram safras menores. Isso representa uma ameaça para aquisições de grãos?

Como uma empresa listada na Nyse, a Bunge não faz declarações prospectivas sobre questões que interfiram nos lucros.


FONTE Udop, com informações de O Estado de S.Paulo (escrita por Leticia Pakulski)